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Psicanálise e arte em tempos de pandemia

SPRGS
Publicado por em Fala Comitê · 15 Abril 2020
Fala Comitê
Comitê de Psicanálise
Psicanálise e arte em tempos de pandemia
Nesse momento histórico que vivemos de pandemia e isolamento social, fez-se necessário retomarmos os estudos freudianos acerca dos escritos criativos. Uma vez em casa isolados estamos sedentos por interações sociais e estamos consumindo cada vez mais arte. Desde a virtualidade, com suas lives, chamadas de vídeos, séries e filmes até o consumo cada vez maior de livros, revistas e músicas. A quarentena solicita-nos estar em solidão mas não necessariamente nos sentirmos sós. É sabido que a literatura tem o poder de nos transportar através de sua narrativa a diversos cenários e situações tal como nos oferece uma experiência estética e afetiva.

A partir dessas reflexões, mais uma vez a obra freudiana faz-se atemporal e nos permite uma leitura e compreensão do tempo que vivemos. Conforme seus escritos, Freud compreende o papel da fantasia na vida psíquica e sua relação com aspectos saudáveis da subjetividade dos sujeitos. Aponta também para as relações existentes entre o processo de devaneio do adulto e o brincar infantil, indicando o humor como um produto das experiências infantis que ficam marcadas no inconsciente e que permitem que atravessemos momentos e situações difíceis com menor prejuízo e com a possibilidade de um rir compartilhado. Não à toa em meio a pandemia surgem tantos memes a fim de nos lembrar que podemos transformar internamente as adversidades. Ao longo do texto, Freud trabalha diversos conceitos de sua metapsicologia e convida, implicitamente, o leitor a exercitar-se a partir de suas leituras e de sua escrita, indagando os aspectos subjetivos que permitem que uma obra literária (e aí estendemos a provocação para as diferentes expressões artísticas) toque emocionalmente aqueles que a leem.

Vemos ao longo de suas obras, um Freud não apenas fundador e pai da psicanálise como um Freud escritor, considerado um dos grandes nomes da literatura mundial e que nos oferece mais do que escritos teóricos e técnicos; Freud produziu narrativas que proporcionam ao leitor a sensação de estar lendo um romance. Grande apreciador das artes e da literatura, Freud parte muitas vezes destas fontes para calcar e exemplificar seus pensamentos a fim de solidificar o metódo psicanalítico entre seus pares da comunidade médica bem como tornar cada vez mais acessível seus fundamentos. Desde a fundação da psicanálise, a importância da escrita está posta, porém, é com a sustentação de alguns autores pós-freudianos que a escrita ganha potência. Para muitos, é tida como um quarto pilar da formação psicanalítica, lado a lado com a análise pessoal, a supervisão e o estudo téorico. A função da escrita, dessa forma, convoca o psicanalista (sempre) em formação à produção e à transmissão da psicanálise, sendo este não apenas um reprodutor de técnicas e teorias, mas também um sujeito crítico, atento as problemáticas de seu tempo bem como atento as demandas sociais e da clínica.

Em consonância à palavra falada que legitima a descoberta do método freudiano, a palavra escrita caracteriza também uma ética, fazendo das produções do analista um dispositivo de interlocução que alicerçam o vigor e a vitalidade da psicanálise. Assim sendo, num momento de tantas incertezas e impedimentos, a literatura e a escrita, mais uma vez, mostram-se aliadas daqueles que conseguem fantasiar e entregar-se ao prazer estético que é proposto ao se imaginar que “era uma vez.”.

Bruna Mello da Fonseca
Coordenadora do Comitê de Psicanálise




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