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Lou Andreas-Salomé: o nascimento da psicanálise no século XIX

SPRGS
Publicado por em Fala Comitê · 29 Abril 2020
Fala Comitê
Comitê de Psicologia e Cultura
O comitê Psicologia e Cultura está discutindo a obra da poeta e psicanalista Lou Andreas-Salomé, intitulada Carta aberta a Freud (Editora Landy, 2001). Neste trabalho observamos como a autora, pioneira na emancipação da mulher, dialoga e traz importantes considerações o processo da construção da psicanálise, sendo capaz de trazer Freud para perto de suas investigações metapsicológicas.

Lou Andreas-Salomé é fruto de seu tempo, mostrando uma alma livre para compor junto ao grande poeta Rainer Maria Rilke, ao filósofo Friedrich Nietzsche e ao pai da psicanálise Sigmund Freud. Sua vida é repleta de uma profunda vivacidade, profundamente inspirada pelas heroínas de Ibsen que se descobrem repletas de desejos. Mais do que suas descobertas pessoais, vemos com grande importância a troca cultural entre esses saberes, cujo destino parece sempre proporcional um aumento na qualidade de conhecimento e, por sua vez, em relações mais simbólicas, por esta razão, capazes de irradiar aos altos níveis da cultura humanal. Somente um tradição alicerçada em valores sólidos é capaz de questioná-los sem medo de prejuízo à qualidade da elaboração.

O questionamento de um valor, quando o comparamos com nosso arcabouço cultural, nos retira da massificação, problema tão frequente hoje em dia com as tendências totalitárias, do pensamento que se autocompreende como uma espécie de imunização branca, clara, única. Este dogma na qualidade da aquisição de um saber não apenas retorna com força na tradição psicanalítica, como algo que também devemos prestar atenção, olhar atentos, sentindo em nossa respiração o momento em que devemos voltar e repensar quem somos, mas também sobre a relação do que somos com o que os outros se mostram. O espelho novamente parece formar uma imagem tão real que não nos questionamos mais se de fato estamos nos vendo. Tal como a apoteose de Narciso caímos na imagem e assim desaparecemos. Quais imagens estamos propondo para nós? Quão fundo somos capazes de nos olhar-sentir-escutar?

Em nosso comitê Psicologia e Cultura estamos interessados em uma abordagem ampla e integral, de descoberta e reinvenção de nós mesmos. Sem este ponto as aparências começam a se tornar mais fortes do que as coisas reais, as linguagens vão aos poucos se tornando signos obsoletos tirados de um dicionário e tão logo as hierarquias parecem falar mais do que as sensações. Nossa preocupação é além dos conceitos e de seu transcurso propor uma experiência nova com o pensar que nos torne mais autônomos e felizes no esbatimento incessante da angústia que nos permeia em meio ao desconhecido.

Os questionamentos de Lou Andreas-Salomé melhoram consistentemente a psicanálise. Nós também devemos fazê-los para que não estejamos fechados em um dogma, mas para que a ciência venha a partir da integridade de nossos valores. Você está desde já convidado a participar!

Estevan de Negreiros Ketzer
Coordenador do Comitê de Psicologia e Cultura
Encontros quintas-feiras, das 9h às 10h30




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