Sexualidade feminina: herança de mãe para filha

Autores

  • Emylle Savi

Resumo

Para a Psicanálise, não se nasce homem ou mulher, masculino ou feminino, mas torna-se tal. A anatomina não é o destino que delimita o sexo e o gênero do indivíduo; o processo de tornar-se homem ou mulher encontra-se estreitamente ligado às questões identificatórias, e a investimentos libidinais nas relações de objeto. O presente artigo tem como objetivo realizar uma síntese, baseada em pressupostos teóricos freudianos e de outros autores contemporâneos, sobre a constituição da sexualidade feminina. Freud (1931) aponta para a importância do primeiro e principal vínculo amoroso da menina – a mãe –, que, nesse momento pré-edípico, é quem ela tenta seduzir. Para que a menina possa ascender ao feminino, faz-se necessário que abandone esse vínculo inicial com a mãe e dirija seus investimentos amorosos à figura paterna. A relação inicial entre mãe e filha quebra-se por uma série de decepções que a segunda sofre, que vão desde o desmame até a confrontação com o complexo de castração. A menina culpa a mãe por não ter lhe dado o falo, e volta-se para a figura do pai – possuidor do falo. A decepção com a masculinidade imaginária lança a menina na posição feminina, que ela constrói identificando-se à mãe. O desligamento da relação entre a menina e sua mãe é fundamental não só para que aquela se torne mulher, como também para que se torne sujeito, conquistando contornos independentes desta que lhe deu a vida. Por fim, conclui-se sobre a importância de um entendimento das relações préedípicas da pequena garotinha, que, caso encaminhadas de forma satisfatória, poderão posteriormente possibilitar a ascensão à sexualidade feminina, bem como ao estatuto de sujeito.

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Publicado

30-04-2017

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Artigos