A cultura do estupro no Brasil
DOI:
https://doi.org/10.61085/2238-9709.2024.v13i1.485Resumo
Este artigo investiga como práticas sociais e institucionais contribuem para a normalização da violência de gênero no contexto da cultura do estupro, além de analisar como a produção acadêmica brasileira aborda este fenômeno. Foi conduzida uma revisão integrativa de literatura, contemplando estudos publicados entre 2019 e 2024, com base em critérios rigorosos de inclusão e exclusão. A pesquisa identificou 15 artigos que compuseram o corpus final, analisados por meio da abordagem temática. Os resultados destacam três eixos principais: representações midiáticas e culturais, naturalização da violência contra a mulher e desigualdades estruturais vinculadas a estereótipos de gênero. Evidenciou-se que a mídia e outras instituições reproduzem narrativas que legitimam práticas de violência sexual e reforçam papéis de gênero desiguais, tornando a violência de gênero invisível e socialmente aceitável. Além disso, identificou-se a culpabilização recorrente das vítimas e a impunidade dos agressores como fatores que perpetuam a cultura do estupro. O estudo conclui que a cultura do estupro está profundamente enraizada nas estruturas sociais e culturais brasileiras, exigindo esforços articulados entre políticas públicas, ações educativas e transformação de práticas institucionais para enfrentá-la e promover a equidade de gênero.
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