Dispositivo materno e os cuidados paliativos perinatais

Autores

  • Giorgia Cassol Centro Universitário da Serra Gaúcha (FSG)
  • Manueli Tomasi Centro Universitário da Serra Gaúcha (FSG)

DOI:

https://doi.org/10.61085/2238-9709.2025.v14i1.568

Palavras-chave:

Cuidados paliativos perinatais, Dispositivo materno, Luto

Resumo

A gestação, embora idealizada como experiência natural, envolve transformações físicas e emocionais que podem gerar ambivalências, especialmente diante de malformações fetais. Nesses casos, o sofrimento psíquico é intensificado pela idealização da maternidade e pela pressão que associa a identidade feminina ao êxito reprodutivo, resultando em culpa e solidão. Este artigo, baseado em revisão teórica, discute os impactos psíquicos do luto gestacional nesses contextos. O conceito de dispositivo materno, de Valeska Zanello (2018), permite compreender como o cuidado e a procriação foram historicamente atribuídos às mulheres. Ressalta-se a importância do letramento em gênero e da comunicação ética na atuação dos profissionais de saúde. Defende-se uma abordagem humanizada, centrada nos direitos reprodutivos, que contemple os cuidados paliativos perinatais e a participação ativa da família nas decisões clínicas. A desconstrução de estereótipos de gênero mostra-se essencial para práticas de cuidado mais sensíveis e inclusivas.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Biografia do Autor

  • Giorgia Cassol, Centro Universitário da Serra Gaúcha (FSG)

    Psicóloga Clínica (CRP 07/43198), formada pelo Centro Universitário da Serra Gaúcha (FSG), Pós-Graduanda em Psicologia Perinatal e Obstétrica.

  • Manueli Tomasi, Centro Universitário da Serra Gaúcha (FSG)

    Doutorado em andamento em Psicologia Social e Institucional pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Mestra em Ciências Sociais pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (2020). Psicóloga pela Atitus Educação (2018). Integra o Núcleo de Estudos e Pesquisa em Processos Institucionais, Coletivos e de Subjetivação (NEPPICS- UFRGS). 

Referências

Alves, I. (2024). Proposta pedagógica para o enfrentamento da morte e do luto no contexto do nascimento na formação de profissionais da área da saúde: estudo de método misto (Tese de doutorado, Universidade Federal de Santa Catarina). https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/260917

Alves, C. A. C., Sarinho, S. W., & Belian, R. B. (2023). Comunicação de más notícias em unidade de terapia intensiva neonatal. Revista Bioética, 31, e3448PT. https://www.scielo.br/j/bioet/a/qJJc7MpyczZmVb8mrS6kBwQ/

Belga, S. M. M. F., Jorge, A. D. O., & Silva, K. L. (2022). Continuidade do cuidado a partir do hospital: interdisciplinaridade e dispositivos para integralidade na rede de atenção à saúde. Saúde em Debate, 46, 551-570. https://www.scielo.br/j/sdeb/a/zDrYHM4dtZdPqx3kGBWBWrr/

Bolibio, R., de Almeida Jesus, R. C., de Oliveira, F. F., Gibelli, M. A. B. C., Benute, G. R. G., Gomes, A. L., ... & Bernardes, L. S. (2018). Cuidados paliativos em medicina fetal. Revista de Medicina, 97(2), 208-215. https://www.scielo.br/j/rbsmi/a/RRG34FNYWrL8vwjCVw4DDYR/

Cardoso-dos-Santos, A. C., Medeiros-de-Souza, A. C., Bremm, J. M., Alves, R. F. S., Araújo, V. E. M. D., Leite, J. C. L., ... & França, G. V. A. D. (2021). Lista de anomalias congênitas prioritárias para vigilância no âmbito do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos do Brasil. Epidemiologia e Serviços de Saúde, 30, e2020835. https://www.scielo.br/j/ress/a/7XZrfFncXf964hFGMk6Ftzv/

Castro, M. C. F. D., Fuly, P. D. S. C., Santos, M. L. S. C. D., & Chagas, M. C. (2021). Dor total e teoria do conforto: implicações no cuidado ao paciente em cuidados paliativos oncológicos. Revista Gaúcha de Enfermagem, 42, e20200311. https://www.scielo.br/j/rgenf/a/TSsc3FTFp8Wf4zgJ37bKnPs/

da Silva, C. F., & da Cunha, A. R. (2022). O psicólogo em uma equipe multidisciplinar no tratamento oncológico infantojuvenil. Diaphora, 11(2), 59-64. https://www.sprgs.org.br/diaphora/ojs/index.php/diaphora/article/view/392

Dhakal, P., Creedy, D. K., Gamble, J., Newnham, E., & McInnes, R. (2022). Educational interventions to promote respectful maternity care: A mixed-methods systematic review. Nurse education in practice, 60, 103317. https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S1471595322000312

Diniz, C. S. G., d'Orsi, E., Domingues, R. M. S. M., Torres, J. A., Dias, M. A. B., Schneck, C. A., ... & Sandall, J. (2014). Implementação da presença de acompanhantes durante a internação para o parto: dados da pesquisa nacional Nascer no Brasil. Cadernos de saude publica, 30(Suppl 1), S140-S153.https://www.scielo.br/j/csp/a/YwCMB4CMGHxLtbMtzgnhJjx/

dos Santos, C. S. S., de Alencastro Astarita, J. G., & Salle, A. G. (2021). Cuidado paliativo em Neonatologia: Estratégias de enfrentamento da equipe multiprofissional. Diaphora, 10(3), 24-31.

Faria, A. F. D., & Lerner, K. (2019). Luto e medicalização: gestão do sofrimento entre mães que perderam filhos. Physis: Revista de Saúde Coletiva, 29(03), e290317. https://www.scielosp.org/article/physis/2019.v29n3/e290317/

Ferreira, S. D. S., & Lima, F. C. B. (2021). Impacto emocional dos pais perante a má-formação congênita (Trabalho de Conclusão de Curso, Pontifíca Universidade Católica de Goiás). https://repositorio.pucgoias.edu.br/jspui/handle/123456789/2186

Galhanas, A., & Frias, A. (2022). Desconfortos da gravidez e bem estar da mulher grávida: revisão integrativa. Editora Científica Digital.

Gesser, A. M., dos Santos, M. S., & Gambetta, M. V. (2021). Spikes: um protocolo para a comunicação de más notícias. Brazilian Journal of Development, 7(11), 103334-103345. https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BRJD/article/view/39204

Leite, T. H., Marques, E. S., Corrêa, R. G., Leal, M. D. C., Olegário, B. D. C. D., Costa, R. M. D., & Mesenburg, M. A. (2024). Epidemiologia da violência obstétrica: uma revisão narrativa do contexto brasileiro. Ciencia & saude coletiva, 29, e12222023. https://www.scielosp.org/article/csc/2024.v29n9/e12222023/#

Lima, S. F., Lamy, Z. C., Motta, V. B. R. D., Roma, T. M., Gomes, C. M. R. D. P., & Souza, T. D. P. (2020). Dinâmica da oferta de cuidados paliativos pediátricos: estudo de casos múltiplos. Cadernos de saude publica, 36, e00164319. https://www.scielo.br/j/csp/a/QVTbrNhKN4vdB9MzQMvjLbL/

Nunes, S. A. (2011). Afinal, o que querem as mulheres? Maternidade e mal-estar. Psicologia Clínica, 23, 101-115. https://www.scielo.br/j/pc/a/zdgTVQcDQzsFZCxnrGtW6db/

Nucci, M. (2024). Para além das “prescrições” da boa maternidade: pensando a amamentação a partir dos estudos de gênero e feminismos. Interface-Comunicação, Saúde, Educação, 28, e230586. https://encurtador.com.br/pHXD2

Rodrigues Beltrão, J., Bonotto Farias Franco, A. C., Madruga Monteiro, L., & Ferreira Percegona, J. (2024). Cuidados paliativos perinatais: reflexões sobre uma clínica ambulatorial. Revista Bioetica, 32.

Rubio, A. V., & Souza, J. L. (2019). Cuidado Paliativo pediátrico e Perinatal. Rio de Janeiro: Atheneu.

Ribeiro, K. G., Batista, M. H., Souza, D. F. O. D., Florêncio, C. M. G. D., Jorge, W. H. A., & Raquel, C. P. (2021). Comunicação de más notícias na educação médica e confluências com o contexto da pandemia de covid-19. Saúde e Sociedade, 30, e201058. https://www.scielo.br/j/sausoc/a/KVJqDhMYMGg7grKJYD4T6Lr/

Rivera, M. F. D. A., & Scarcelli, I. R. (2021). Contribuições feministas e questões de gênero nas práticas de saúde da atenção básica do SUS. Saúde em Debate, 45, 39-50. https://www.scielo.br/j/sdeb/a/3rVJfxZrLVvdtVHSMTWX3Sd/

Ruschel, P. P., Pfeifer, P. M., Marques, S. F., da Rosa Vieira, D., & Zielinsky, P. (2022). Estudo sobre apego materno-fetal e sintomas depressivos na gestante. Diaphora, 11(2), 31-36. https://www.sprgs.org.br/diaphora/ojs/index.php/diaphora/article/view/390

Santos, G. C., Galrão, P. D. L., & Sousa, L. C. B. D. (2024). Quem disse que ser mulher é ser mãe? Feminilidade (s) e maternidade (s). Saúde e Sociedade, 33, e220388pt. https://www.scielo.br/j/sausoc/a/wMFNCcvzgTRBPm6XRKk6Kdb/

Sena, L. L. (2024). Cuidados Paliativos Perinatais: Abordagem de Enfermagem para o Cuidado Integral dos Pais e do Bebê. UniLS Acadêmica, 1(2), 10-10. https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-1444408

Silva, S. L. (2022). A vivência do luto frente à perda gestacional na maternidade: uma revisão integrativa (Trabalho de Conclusão de Curso, Bacharelado em Enfermagem, Instituto de Enfermagem, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Macaé).

Silva, L. M., da Silva Gonçalves, L., Colares, L. M., Pereira, M. D., Moreira, L. A., & Silva, S. A. B. (2023). Papel do cuidado paliativo na assistência perinatal. Research, Society and Development, 12(6), e10512642082-e10512642082..

Steijn, D., Sánchez-Cárdenas, M., Pons-Izquierdo, J. J., Garralda, E., Centeno, C., Lima, L., & Pastrana, T. (2021). Atlas de cuidados paliativos de Latinoamérica 2020. Asociación Latinoamericana de Cuidados Paliativos. https://www.iccp-portal.org/sites/default/files/resources/AtlasLatam2020.2Edicion.pdf

Zanello, V. (2018). Saúde mental, gênero e dispositivos: cultura e processos de subjetivação. Editora Appris.

Downloads

Publicado

08-12-2025

Edição

Seção

Artigos de revisão

Como Citar

Dispositivo materno e os cuidados paliativos perinatais. (2025). Diaphora, 14(1), e25108. https://doi.org/10.61085/2238-9709.2025.v14i1.568

Artigos Semelhantes

1-10 de 30

Você também pode iniciar uma pesquisa avançada por similaridade para este artigo.